Carta aos meus livros perdidos e reencontrados

Por Renata Curzi

Estava com saudades. Não nos víamos há 2 anos e meio. Cheguei a imaginar que havia perdido vocês para sempre, mas depois de passar os olhos zil vezes na mesma caixa ainda não desfeita após a mudança e presumir que no seu interior teria o mesmo conteúdo que se mostrava à primeira vista (aquelas quinquilharias que a gente guarda não por necessidade, mas por apego) resolvi revirar as coisas um pouquinho. E vocês estavam logo ali. Embaixo de umas caixinhas de madeira com peças de artesanato.

Como vocês me fizeram falta.

A caixa com meus livros sobre queijos é finalmente encontrada!

Além de termos uma relação afetiva, pois cada um de vocês tem uma história e foi adquirido em contextos diferentes que contam um pouco da narrativa da minha vida, vocês sempre foram minha fonte constante de inspiração e meus motivadores para a ação, seja de escrever, de preparar alguma receita ou de estudar, já que sempre me apontaram algum detalhezinho que merecia um aprofundamento. Os considero como amigos.

Agora que estão de volta, preciso atualizá-los das reviravoltas que aconteceram em minha vida enquanto a gente, por desleixo meu, ficou sem se encontrar. Meu filho mais velho não mora mais com a gente, criou asinhas e está seguindo seus próprios sonhos. Estou muito orgulhosa dele, mas a saída dele de casa deixou um buraco tão grande no meu coração que corri para preenchê-lo.

Resolvi correr um pouco atrás de meus sonhos também e iniciei uma segunda graduação. Esse ano já vou para o quinto período de Psicologia. Já sou meio psicóloga. O curso abriu um outro universo para mim. Fiz novos amigos que me ensinam todo dia uma coisa nova. Tenho professores que me inspiram, que me afetam e que despertam minha vontade de aprender cada vez mais. Leio muito, reflito, converso com pessoas interessantes e vou dando meus passinhos na busca por um pouco de entendimento da complexidade do ser humano.

Espero que vocês não estranhem a Renata que vão reencontrar. Alguns amigos e familiares já comentaram que estou diferente, no entanto, acredito que vocês, que já ficaram aprisionados no fundo de uma caixa enquanto as pessoas do lado de fora pensavam que vocês eram o que estava na superfície, vão me entender melhor do que ninguém o processo que vem acontecendo comigo nos últimos anos.

Estou muito feliz com nosso reencontro. Vocês deixam minha vida mais colorida, mais feliz e mais conectada com minhas raízes.