Queijos e cervejas

Por Renata Curzi

Gastar um tempão para encontrar aquele queijo especial e depois escolher aleatoriamente uma cerveja para acompanhá-lo, pode não ser uma boa ideia. Aquele sabor raro que você tanto aprecia pode ser totalmente encoberto pela bebida, ou vice-versa. Sim, essa história de harmonização não é frescura, mas é um assunto cheio de nuances, por isso recorri a duas especialistas, a sommelier de cervejas Fabiana Arreguy, autora do blog pão e cerveja e a escritora americana Janet Fletcher, autora do livro Cheese and Beer, para nos ajudar a entender como tudo funciona.

Queijo e cerveja

Degustação de queijos e cervejas na Minas Láctea/2017 guiada pela sommelier de cerveja, Fabiana Arreguy e pelo jornalista Eduardo Girão

A boa notícia é que essa tarefa é muito mais simples para os fãs de cerveja, já que ela é uma parceira mais flexível do que os vinhos. Ninguém melhor que Janet, que dá aulas de harmonização de queijos com ambas as bebidas para validar essa afirmação. Ela conta que sempre encontra uma cerveja mesmo para os queijos com os sabores mais desafiadores, no entanto não pode dizer o mesmo sobre vinhos .

A explicação não poderia ser mais lógica: Fabiana Arreguy conta que a cerveja utiliza os mesmos ingredientes (grãos, leveduras e água), que os pães, parceiros de longa data dos queijos. Daí o nome pão líquido. Além disso a bebida traz 2 outros componentes que podem facilitar a harmonização: a carbonatação e o lúpulo.

A carbonatação é o gás carbônico dissolvido na bebida, responsável pela formação da espuma na hora de servir. Já o lúpulo, flor de uma planta tipo trepadeira, é adicionado durante a fabricação da cerveja e confere vários aromas e o sabor amargo. Ambos têm papel importante na degustação porque limpam o paladar quando comemos alimentos gordurosos, como o queijo.

cheese beer queijo e cervejaMas toda essa versatilidade não garante que esse casamento será um sucesso. Uma boa maneira de saber se você está no caminho certo é observar se você gosta do queijo e da cerveja juntos da mesma maneira que quando consumidos separadamente, como ensina Janet, ou ainda quando a harmonização alcança um terceiro sabor, melhor ainda do que dos alimentos separados, como indica Fabiana.

Para aumentar as chances de acertar essa parceria, conhecer algumas regras básicas não faz mal a ninguém. Um bom guia é o livro da Janet, que faz uma abordagem tão lógica e explicativa que fica bem fácil fixar os princípios. Resumidamente, ela propõe que observemos as características de cada um, para então buscar o par ideal:

-Textura: Quanto mais mais untuoso for o queijo, mais carbonatada a cerveja deve ser. Outro exemplo em que a textura é um diferencial é no casamento de um queijo azul mais cremoso com uma cerveja aveludada tipo barley wine.

-Intensidade: Geralmente, queijos delicados pedem cervejas leves, enquanto queijos mais maturados e complexos acompanham melhor cervejas mais encorpadas.

-Acidez: Queijos mais ácidos, como os de cabra, vão bem com cervejas mais amargas, como as IPAs. Agora quando a acidez está muito presente na cerveja, como os sour ales, experimente queijos mais adocicados como o Gouda.

-Teor de álcool: Quanto maior concentração de álcool tiver uma cerveja, mais maturado e complexo o queijo deve ser. Queijos frescos vão bem com cervejas de trigo, enquanto goudas extra-maturados pedirão uma cerveja mais forte, por exemplo.

-Doçura: A harmonização por semelhança funciona muito bem quando cervejas e queijos apresentam certo dulçor. Essa dica explica pares clássicos como queijos alpinos com porter.

Não precisa nem dizer que somos fãs da Janet Fletcher, né?


Para aqueles que não são fãs de regras, um bom atalho pode ser escolher cervejas amigáveis com queijos. A Saison, por ter baixo teor de lúpulo, aromas bem frutados e teores moderados de álcool (+- 7,5%), são a escolha de Janet.

Já Fabiana aposta nas cervejas feitas com maltes torrados: “os aromas e sabores que lembram chocolate e café, são coringa na combinação com queijos. Essas cervejas alcançam diferentes perfis de queijo, pois as notas torradas complementam o salgado e se fundem aos sabores terrosos de fungos, ao sabor picante de maturações mais longas. Ao mesmo tempo podem fazer leve contraste com massas adocicadas, sem sobrepujar seu sabor mais suave.”

 

 

 

 

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O Quê do Queijo na Expolac 2015

Por Carla Reis

Esta semana visitei a Minas Láctea 2015 que acontece em Juiz de Fora sempre no mês de Julho. Este evento reúne toda a cadeia láctea do país e é uma referência na difusão de tecnologias sobre leite e derivados.

minas lactea

Minas Láctea 2015

Concurso de Produtos lacteos

Concurso de Produtos Lácteos 2015

Além de me atualizar, participar desta feira é muito importante prá mim, pois é uma oportunidade de rever meus amigos e matar as saudades da Cândido Tostes  ou “Candinha”  como carinhosamente tratamos a nossa escola.

Na Minas Láctea, acontece a Expolac onde as principais marcas de queijos do país expõem seus produtos , lançamentos e inovações.

Neste evento sempre tem espaço para a “criatividade dos queijeiros” que  trazem algumas curiosidades sobre o mundo dos queijos, na maioria das vezes bem humoradas e deliciosas que deixam o evento ainda melhor.

Vou dividir com vocês algumas curiosidades que vi por lá:

1. Queijo com Frutos do Cerrado :

É um queijo de massa macia ( parecido com o queijo prato ) fabricado exclusivamente com leite de vacas criadas e alimentadas no cerrado e adicionado de frutos do cerrado como o Baru ou Cumaru na massa. Segundo os produtores estes frutos tem propriedades afrodisíacas…

Cientificamente falando não posso afirmar, só experimentando né..rs

cerrado.jpg

2. Queijo Cascudinho do Morro do Jucu :

Este queijo amarelinho por dentro e com mofo branco por fora , é feito de leites selecionados de vacas criadas nas montanhas da mantiqueira próximas a cidade de Paraty ( montanha com vista para o mar … ). Tem notas cítricas e amendoadas e textura bem suave. Os produtores recomendam degustá-lo acompanhado da cachaça fabricada na região de Paraty.

O queijo eu provei e é muito bom. Falta validar a cachaça , rs

cascudinho

3. Queijo de Santo Antônio Casamenteiro :

Segundo o queijeiro fabricante , a receita desta iguaria foi achada em um mosteiro em Coimbra-Portugal  e segundo a lenda “foi escrita pelo próprio Santo Antônio”. E vai dizer que não ??? rs

Quem comer esta iguaria encontrará o amor da sua vida e se der errado provavelmente foi porque o próprio Santo Antônio pode ter se apaixonado por você…. Sei lá, eu não quis me arriscar !!!

santoantonio.jpg

4. Snack de queijo com Fibras e Probióticos

Bem bacana e no formato de pequenas estrelinhas, este snack é feito a base de queijos naturais processados e adicionado de probióticos e fibras naturais. O mais interessante é que é um queijo que não precisa refrigeração , o que o torna além de saudável , prático e portátil.  Gostei da inovação.

healthy cheese

Escolhi estas 4 curiosidades , mas ainda tinha muito mais queijos temáticos e divertidos expostos junto as mais tradicionais marcas de queijos do país como podem ver nas fotos.

WQueijos

Expolac 2015

É um deleite para os apreciadores de queijos: vale a pena a visita.

Não posso também deixar de homenagear meus amigos queijeiros da turma de 1993 : Claudia Itaboray, Adriana Cristina , Adilson Jr. , Antônio Sérgio ( Tonzé ) , Luciano Oliveira e todos os outros que encontrei por lá.  #adoro #bff

E até a próxima Minas Láctea!

bff