Um acompanhamento perfeito para gorgonzola: compota de peras com mel

Por Renata Curzi

Compota de pera e GorgonzolaNa foto de nossa última postagem o acompanhamento do gorgonzola dolce é uma compota de peras que fiz para resolver um antigo problema. Não dá para negar que o gorgonzola e a pera são o casal 20 do mundo dos queijos. Na culinária existem vários tipos de receita que apostam nesse clássico: risoto, massa, bruscheta, quiche, salada, carnes e até sobremesas.

Mas na hora de montar uma tábua de queijos, a coisa complica um pouco. É meio frustante dispor aquele monte de frutas e as pessoas não comerem nenhuma. Acho que é preguiça de cortar! Servir as peras fatiadas poderia ser uma opção, porém elas escurecem logo.

Compota de pera gorgonzolaA solução para mim veio com essa receita que encontrei AQUI. A preparação leva poucos ingredientes e fica pronta rapidinho. Na forma de compota, as peras ficam mais acessíveis e apetitosas na tábua de queijos. Outro ponto positivo é que ela pode ser feita antecipamente. Já a harmonização com gorgonzola não tem como dar errado, já que o mel também faz bonito junto com esse queijo. 😉

Compota de peras ao mel

(2 porções)

Ingredientes

.2 peras willians quase maduras

.3 colheres de sopa de mel

.suco de ¼ de limão tahiti

Modo de preparo

Fatiar as peras e misturá-la aos outros ingredientes em uma panela pequena. Colocar água até cobrir as frutas. Cozinhar em fogo médio até que as peras fiquem macias.

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Gorgonzola Dolce

Por Renata Curzi

Às vezes me pergunto porque o gorgonzola dolce ainda não caiu nas graças do consumidor brasileiro. Ele tem tudo para agradar o nosso paladar: é cremoso, chega a ser até espalhável em certo ponto da cura; é mais suave; tem menor teor de sal e não perde nada em sabor para a versão tradicional.

Gorgonzola Dolce 2

Gorgonzola Dolce D’Anitta e compota de peras.

Talvez seja porque a maior parte das opções disponíveis no mercado é importada e tem um preço salgado e alguns problemas de conservação. O Dolce é muito sensível às condições de armazenamento. Como a importação da Itália demora cerca de 20 dias, imaginem pelo que esse queijo passa até chegar aqui.

Essas condições adversas podem descaracterizar o queijo: eu mesma já comprei o importado mais de uma vez com problemas de sabor amargo. Da primeira vez devolvi ao supermercado, das outras vezes fiquei com o coração tão partido que joguei tudo no lixo. A paixão tem dessas coisas…

Fabricação de gorgonzola

Queijos tipo gorgonzola após enformagem. Notem como a textura é aberta, cheia de buracos, que irão aerar a massa e permitir o desenvolvimento do mofo.

A minha sorte é que agora estou morando em Lavras, no sul de Minas, a menos de 15km da única fábrica que produz gorgonzola dolce no Brasil. Logo que cheguei aqui, ganhei uma cunha de um amigo e fiquei encantada. Não satisfeita, visitei a fábrica, e trouxe para casa mais 3 cunhas no ponto exato de maturação. Confesso que sou capaz de comer sozinha uma inteira. Os queijos sumiram rapidinho da minha geladeira.

Durante a visita que fiz ao laticínio D’Anitta aproveitei para tirar algumas fotos e conversei bastante com a queijeira, a Anne Bartholdy, veterana na arte de fazer queijos finos e descendente dos dinamarqueses que trouxeram várias técnicas de fabricação de queijos para o sul de Minas há mais de cem anos.

 

Furagem gorgonzola etapas

Processo de furagem do gorgonzola. Esses furos funcionam como pequenas chaminés que levam oxigênio para o mofo que foi adicionado ao leite para a fabricação desse queijo.

Ela conta que o segredo do seu Dolce é o cuidado, a atenção aos detalhes. “Não existe receita pronta para qualquer tipo de queijo, qualquer variação de 1ºC na temperatura traz para a minha recepção um leite que não é o mesmo de ontem e que exige outro tratamento durante o processo de fabricação, essa atenção que posso dar aos meus produtos os diferenciam de uma produção industrializada”, ensina Anne, que já ajudou a pequena queijaria de 5 mil litros de leite/dia a conquistar sete prêmios do Concurso Nacional do ILCT na categoria gorgonzola (3 ouros, 2 pratas e 2 bronzes).

Gorgonzola partido 2

Queijo tipo Gorgonzola sendo partido. Foto Anne Bartholdy

Para saber mais

Mas apesar de ser considerada quase artesanal, a produção do Dolce nessa fábrica é cercada de tecnologia de ponta. Quem a ajudou no desenvolvimento do processo foi outro técnico em laticínios, Leonardo Santos, que trouxe a tecnologia, os fermentos e um tipo especial de Penicillium diretamente da Itália. “ A tecnologia utilizada lá na Itália é muito diferente da que utilizamos aqui. A técnica dos queijos azuis brasileiros é mais próxima da do Danablu porque foi trazida pelos imigrantes dinamarqueses, coincidentemente, da família da Anne”, pontua.

Dolce x GorgonzolaLeonardo explica que o Dolce tem menos veios de fungo na massa porque muitos dos furos que fazem a oxigenação do queijo para que eles se desenvolvam, naturalmente se fecham porque a massa tem uma estrutura muito macia. Já a cremosidade é resultado principalmente do tipo de mofo utilizado (menos lipolítico e mais proteolítico) e do maior teor de umidade, cerca de 50%.

É em função desse alto teor de água que mesmo o produto nacional sofre com a conservação. Anne nos contou que a embalagem ideal é a bandeja com atmosfera modificada, que ajuda a diminuir a degradação das proteínas que gera o sabor amargo, por isso a fábrica logo irá investir nessa tecnologia.

Portanto, caro consumidor, se o Dolce decepcioná-lo da primeira vez, insista. Garanto que vale a pena. Experimente outra marca, ou então peça a seu fornecedor para avisá-lo quando irá chegar um novo lote. O amor à segunda, ou à terceira vista pode ser muito mais envolvente e duradouro do que uma mera paixão corriqueira.

Câmra Gorgonzola

Câmara de maturação de gorgonzola.

Em tempo

Esse post só foi possível graças a dois queridos amigos, também queijeiros. Fernanda Dulço que me acompanhou na visita à fábrica e o seu marido Eduardo, que nos presenteou com o Dolce feito aqui. Mil vezes obrigada!

 

 

O melhor Gorgonzola para acompanhar o Creme de Abóbora

Por Renata Curzi

Os melhores parceiros para os queijos azuis são alimentos adocicados: peras, maçãs, mel, aipo, vinho do porto… e por que não abóbora?! É uma harmonização por contraste em que o sabor picante e salgado do queijo é equilibrado pela doçura desse legume. O creme de abóbora com gorgonzola é  uma delícia, ótimo para aquecer as noites de inverno. A receita é muito fácil, o segredo é o tipo de gorgonzola que utilizaremos.

Creme-de-abobora-com-gorgonzola

O melhor resultado é quando escolhemos um queijo gorgonzola jovem, que demora mais para dissolver-se no caldo quente. Assim o creme aveludado ganha mais uma textura: a maciez lânguida e granulosa do queijo semi-derretido.

O queijo azul mais velho se liquefaz mais facilmente devido a vários fatores, entre eles a ação das enzimas do mofo sobre as proteínas. Quando entra em contato com o calor, o gorgonzola mais maturado logo desaparece, se incorpora à sopa. Tudo fica meio que a mesma coisa.

Pois é, nada é tão simples quando o assunto é queijo.

Como identificar um gorgonzola jovem

Nessa receita usei um exemplar com 40 dias de maturação. O gorgonzola é considerado jovem com até 50-60 dias. Se o queijo vem embalado de fábrica é simples identificar sua idade, basta contar os dias desde a data de fabricação impressa e adicionar mais 25, como já explicamos aqui.

Porém, muitas vezes, compramos o queijo cortado e embalado pelo próprio supermercado. Nesse caso a data que aparece na etiqueta é a data do corte e não a da fabricação. Mas há outras maneiras de avaliar a idade de um gorgonzola:

.Cor: quanto mais jovem, mais clara é a massa do queijo. No gorgonzola mais velho a cor tende para o palha.

. Mofo: no início da maturação a cor do mofo é mais esverdeada, mais forte e se destaca bem na massa esbranquiçada.

.Consistência: o queijo mais novo é mais firme e vai adquirindo cremosidade com o decorrer da maturação.

.Sabor: o queijo jovem tem sabor mais suave, algumas pessoas o preferem assim. Mas se for muito novo o sabor pode estar ainda desbalanceado, tendendo para o amargo ou às vezes “mofado”.

 Receita

Creme de abóbora com gorgonzola

Tempo de preparo 40 minutos

4 porções

Ingredientes

.500g de abóbora japonesa em cubos

.500ml de caldo de legumes

.1 cebola média cortada em cubos(150g)

.1 colher de sopa de manteiga

.3 colheres de sopa de creme de leite fresco

.1 colher de chá de sal

.pimenta do reino moída na hora

.150g de queijo gorgonzola jovem em cubos

Modo de fazer

Em uma panela média, aqueça a manteiga e refogue a cebola. Acrescente a água, a pimenta do reino e o sal e deixe cozinhar por mais ou menos 20 minutos até a abóbora ficar macia.

Bata no liquidificador até formar um creme. Volte o creme para a panela e adicione o creme de leite. Aqueça novamente se achar necessário, sem deixar ferver.

Sirva e adicione cubos de gorgonzola sobre o creme.

 

 

 

 

Pera com gorgonzola, redução de Porto e um mantra

Por Renata Curzi

Pera com gorgonzola1

Não erra nunca quem opta pelos clássicos. Essa afirmação vale para estética, obras de arte, moda e também para o mundo dos queijos. Jogue a primeira pedra quem nunca se rendeu a uma mussarela de búfala acompanhada por rúcula e tomates secos.

Os queijos azuis (os que têm mofo azul: gorgonzola, stilton, roquerfort, etc) também têm seus parceiros fiéis. Pode apostar sem medo na mistura deles com vinho do porto, peras e nozes– não tem jeito de ficar ruim.

Pera com gorgonzola 0

Você encontra esses ingredientes em vários pratos: risotos, pizzas, saladas, sanduíches, folhados, canapés e até bruschettas. O vinho, na maioria das vezes, vem como acompanhamento, mas na preparação de hoje, ele entra como ingrediente.

Encontrei essa receita no blog do Ráscal. Mas dei um toque diferente retirando o mel e substituindo por uma redução de vinho do porto (um ingrediente do mantra gorgonzola, pera e porto; esperta, não?). Isso porque eu estava, há um tempão, querendo tentar fazer essa tal redução, estava louca para experimentar. E valeu a pena porque ficou uma delícia.

Modifiquei também o modo de fazer original. Preferi não voltar as peras ao forno após recheá-las. Achei que se aquecesse, tudo ficaria muito molinho, com pouca textura. Aliás, quando repetir a receita vou misturar ao queijo um pouco de nozes quebradas para dar um pouco mais de crocância.

O interessante desse prato é que ele pode ser servido como antepasto, junto com a salada de folhas ou sobremesa. Caso escolha servi-lo como sobremesa, é só caprichar na hora de regar as peras com a redução de porto.

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Gorgonzola : Quatro maneiras de ter um Natal “Azul”

Por Carla Reis

Que tal aproveitar o clima das festas de final do ano , para saborar um dos nossos queijos favoritos? O gorgonzola é classico , saboroso , versátil e ideal para esta época do ano quando as pessoas querem celebrar suas conquistas!

Seguem aqui 4 maneiras rápidas e muito fáceis de apresentar este queijo clássico aos seus convidados e dar um toque de requinte à sua mesa e a seu cardápio.

1. Salada verde com gorgonzola : misture suas folhas preferidas ( alface crespa , alface americana, escarolas ou outras à seu gosto ) com nozes carameledas , castanhas trituradas , tomate cereja ( ou cereja ) , pêra picadas e pedaços de gorgonzola ( esmigalhados ou em pequenos cortes ): doce , salgado, crocante . Impressionante !!!!!

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2. Ao natural : sirva um pedaço de gorgonzola puro , ao natural e uma tábua ou prato. Corte em pequenos pedaços e deixe pedaços de pêras ou damasco cortados ao lado. Por que mexer em um clássico?

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3. Em canapés : faça pequenos canapés com gorgonzola sobre torradinhas ou biscoitos salgados . Combine com pêras ou frutas secas e sirva de entrada para seus convidados. Regue com mel : o sucesso é garantido!

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4.Em pasta ou creme : misture pedaços de gorgonzola com creme de leite até formar uma pasta. Sirva na entrada acompanhado de pães ou para fazer “dip” com legumes ou biscoitos tipo grissinis.

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Espero que gostem destas dicas saborosas e rápidas: aproveite melhor seu tempo para curtir a família e os amigos !

Gorgonzola , italianíssimo

Por Carla Reis

Meu post hoje é sobre um dos queijos mais apreciados no mundo: o Gorgonzola.

Historiadores antigos da cidade de Gorgonzola, província de Milão na Itália  contam que ele “nasceu” por um descuido, já os mais românticos dizem que foi por amor.  Conta-se que um jovem aprendiz de queijeiro deixou de fazer o queijo para encontrar sua amada. Guardou o leite ainda quente nas tinas e o mesmo acidificou, “azedou”. No dia seguinte, para tentar recuperar o leite azedo e escapar da bronca de seu patrão, misturou o leite ácido com o leite ordenhado fresco e ainda quente. Os leites ácido e fresco com temperaturas diferentes ao se misturarem formaram uma coalhada com bolhas de ar por toda superfície. O jovem rapaz imaginando que tinha perdido todo o queijo o deixou escondido nas caves de maturação da queijaria. Dias depois, ao voltar, viu que no espaço formado na massa pelas bolhas de ar havia crescido um fungo azul-esverdeado, e que a massa tinha um sabor inigualável e aroma intenso. Nascia assim então, o queijo gorgonzola!

Verdade ou mito, não sei … Prefiro acreditar na história contada pelos habitantes da pequena Vila Gorgonzola. Continuar lendo