Queijo roquefort alemão?!

Esse post é diferente de tudo que escrevemos até aqui. Uma mistura de indignação, esclarecimento e no final das contas uma reflexão… É também um alerta para vocês leitores.

Em um mundo ideal não precisaria escrever sobre isso, mas a realidade está aí, gritando no folheto e nas gôndolas do supermercado ‘gourmet’ do bairro: “o queijo roquefort alemão está em oferta”. Os leitores mais atentos já devem ter matado a charada. Roquefort alemão? Que história é essa?

Muito bem meus amigos, vocês estão certos. Não existe roquefort alemão, muito menos roquefort feito de leite de vaca. Mas o anúncio está lá. Tirei fotos do folheto de ofertas e da etiqueta do queijo.

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Sabe o que é pior? Continuar lendo

Como apreciar o queijo Roquefort

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Por Renata Curzi

Picante, salgado e doce. Tudo ao mesmo tempo. O roquefort é um dos queijos de sabor mais forte. Se existisse uma classificação dos queijos de acordo com um estilo musical, a do roquefort seria o heavy metal: muita guitarra e muita bateria harmonizadas por um baixo conciliador. Encontrar o balanço perfeito é uma arte que exige muita técnica, sensibilidade e um pouco de teimosia. Uma das razões pela qual  esse queijo tem status de lenda.

Mas de onde vem tanto sabor? Tudo é fruto da técnica de fabricação; do tipo de leite (ovelha), da cultura lática e do mofo utilizados. Cada gosto tem sua origem:

  • Pungência: Dois fatores contribuem para o sabor picante: o uso do leite de ovelhas e a ação do mofo, o penicillium roqueforti.
  • Salgado: os queijos azuis são usualmente mais salgados que os demais. Isso é necessário para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do mofo.
  • Doçura: é uma característica dos queijos de ovelha. O leite dessa espécie é mais rico e denso do que os de vaca ou cabra. Ele tem mais proteínas, gorduras e também açúcares.

O Roquefort do Brasil

Roquefort

A produção de roquefort é talvez um dos maiores oligopólios do mundo dos queijos. Como já contamos AQUI esse nome vale ouro e é super protegido. O que não impede que nós tenhamos nosso “tipo roquefort”. Um produtor do RS importou ovelhas e fez cursos na França para fazer aqui um queijo mais semelhante possível ao original. Em empórios o roquefort nacional é vendido a R$180,00 por quilo; no site da marca, que entrega em todo o Brasil, custa R$130,00, enquanto o roquefort AOC da marca Societé (que usualmente tem os menores preços!) custa aqui R$350,00.

Como comer o queijo roquefort

A maioria dos brasileiros preferem queijos suaves e temos bastante resistência em provar variedades mais fortes. Gostamos de comer o queijo puro, mas tome cuidado ao tentar isso com um queijo azul de ovelhas.

O roquefort tem um sabor robusto. Poucos apreciam comê-lo puro; ele fica melhor em uma fatia de pão, de preferência, artesanal. Há quem goste de passar manteiga em sua superfície para deixá-lo mais delicado.

Acompanhamentos clássicos: pães, mel, PERAS, maçãs, figos, uvas e nozes. Os americanos adoram o molho de roquefort com carne, não há steak house sem essa opção no menu.

Bebidas: para equilibrar o sal, vinhos de sobremesa (porto ou sauterns). O meu livro preferido de harmonizacão de queijos e vinhos (Cheese and Wine, de Janet Fletcher) sugere também o Sauvignon Blanc.

Roquefort is beautiful

Por Renata Curzi

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Não podia deixar de compartilhar estas imagens com vocês. Elas são lindas, criativas e inspiradoras. Foram feitas para celebrar os 150 anos da marca de queijo roquefort Société. Selecionei algumas e colei aqui, mas você pode ver todas as outras no site especialmente criado para a ocasião. O mote da campanha publicitária é “Société:150 ans de plaisir”. Vale a pena dar uma olhadinha aqui.

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Todo esse investimento em marketing reflete o cuidado que existe em relação ao nome e à lenda “Roquefort”. Esse queijo foi o primeiro a receber o selo de indicação de origem em 1926 (AOC), mas ainda em 1411 o Rei Carlos VI concedeu o monopólio de manufaturá-lo aos  moradores da região . Mas um produto não vive só de fama, os fabricantes também investem muito em qualidade e padronização.

Alguns críticos dizem que tudo isso não passa de protecionismo. Eu digo que a recompensa vale o esforço: atualmente o roquefort é um dos queijos mais caros do mundo. No Brasil chega a custar R$350,00 o kilo.

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BigRoq

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A Société é responsável por 60% da produção mundial. Aliás, só existem 7 produtores. Isso por causa da limitação geográfica, somente pode ser chamado de roquefort o queijo produzido com o leite das ovelhas da região de Aveyron e maturado nas cavernas de Roquefort.

 

 

 

Pera com gorgonzola, redução de Porto e um mantra

Por Renata Curzi

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Não erra nunca quem opta pelos clássicos. Essa afirmação vale para estética, obras de arte, moda e também para o mundo dos queijos. Jogue a primeira pedra quem nunca se rendeu a uma mussarela de búfala acompanhada por rúcula e tomates secos.

Os queijos azuis (os que têm mofo azul: gorgonzola, stilton, roquerfort, etc) também têm seus parceiros fiéis. Pode apostar sem medo na mistura deles com vinho do porto, peras e nozes– não tem jeito de ficar ruim.

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Você encontra esses ingredientes em vários pratos: risotos, pizzas, saladas, sanduíches, folhados, canapés e até bruschettas. O vinho, na maioria das vezes, vem como acompanhamento, mas na preparação de hoje, ele entra como ingrediente.

Encontrei essa receita no blog do Ráscal. Mas dei um toque diferente retirando o mel e substituindo por uma redução de vinho do porto (um ingrediente do mantra gorgonzola, pera e porto; esperta, não?). Isso porque eu estava, há um tempão, querendo tentar fazer essa tal redução, estava louca para experimentar. E valeu a pena porque ficou uma delícia.

Modifiquei também o modo de fazer original. Preferi não voltar as peras ao forno após recheá-las. Achei que se aquecesse, tudo ficaria muito molinho, com pouca textura. Aliás, quando repetir a receita vou misturar ao queijo um pouco de nozes quebradas para dar um pouco mais de crocância.

O interessante desse prato é que ele pode ser servido como antepasto, junto com a salada de folhas ou sobremesa. Caso escolha servi-lo como sobremesa, é só caprichar na hora de regar as peras com a redução de porto.

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Gorgonzola : Quatro maneiras de ter um Natal “Azul”

Por Carla Reis

Que tal aproveitar o clima das festas de final do ano , para saborar um dos nossos queijos favoritos? O gorgonzola é classico , saboroso , versátil e ideal para esta época do ano quando as pessoas querem celebrar suas conquistas!

Seguem aqui 4 maneiras rápidas e muito fáceis de apresentar este queijo clássico aos seus convidados e dar um toque de requinte à sua mesa e a seu cardápio.

1. Salada verde com gorgonzola : misture suas folhas preferidas ( alface crespa , alface americana, escarolas ou outras à seu gosto ) com nozes carameledas , castanhas trituradas , tomate cereja ( ou cereja ) , pêra picadas e pedaços de gorgonzola ( esmigalhados ou em pequenos cortes ): doce , salgado, crocante . Impressionante !!!!!

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2. Ao natural : sirva um pedaço de gorgonzola puro , ao natural e uma tábua ou prato. Corte em pequenos pedaços e deixe pedaços de pêras ou damasco cortados ao lado. Por que mexer em um clássico?

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3. Em canapés : faça pequenos canapés com gorgonzola sobre torradinhas ou biscoitos salgados . Combine com pêras ou frutas secas e sirva de entrada para seus convidados. Regue com mel : o sucesso é garantido!

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4.Em pasta ou creme : misture pedaços de gorgonzola com creme de leite até formar uma pasta. Sirva na entrada acompanhado de pães ou para fazer “dip” com legumes ou biscoitos tipo grissinis.

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Espero que gostem destas dicas saborosas e rápidas: aproveite melhor seu tempo para curtir a família e os amigos !

Gorgonzola , italianíssimo

Por Carla Reis

Meu post hoje é sobre um dos queijos mais apreciados no mundo: o Gorgonzola.

Historiadores antigos da cidade de Gorgonzola, província de Milão na Itália  contam que ele “nasceu” por um descuido, já os mais românticos dizem que foi por amor.  Conta-se que um jovem aprendiz de queijeiro deixou de fazer o queijo para encontrar sua amada. Guardou o leite ainda quente nas tinas e o mesmo acidificou, “azedou”. No dia seguinte, para tentar recuperar o leite azedo e escapar da bronca de seu patrão, misturou o leite ácido com o leite ordenhado fresco e ainda quente. Os leites ácido e fresco com temperaturas diferentes ao se misturarem formaram uma coalhada com bolhas de ar por toda superfície. O jovem rapaz imaginando que tinha perdido todo o queijo o deixou escondido nas caves de maturação da queijaria. Dias depois, ao voltar, viu que no espaço formado na massa pelas bolhas de ar havia crescido um fungo azul-esverdeado, e que a massa tinha um sabor inigualável e aroma intenso. Nascia assim então, o queijo gorgonzola!

Verdade ou mito, não sei … Prefiro acreditar na história contada pelos habitantes da pequena Vila Gorgonzola. Continuar lendo