Queijo Prato, os segredos de um queridinho do Brasil

Por Carla Reis

Prato2Tem-se notícia nos livros antigos, que o primeiro queijo prato fabricado no Brasil, foi feito na ainda existente fazenda Campo Lindo ( foto ), na época pertencente ao município de Aiuruoca e Cruzília, no Sul de Minas Gerais, região citada pelo autor João Castanho Dias como a “Pequena Dinamarca Mineira”.

Fazenda Campo Lindo – Cruzília

Os dinamarqueses ao chegarem ao Brasil, reconheceram nestas terras um clima propício para criação do gado holandês e para produção de leite de qualidade. Para permitir a comercialização transformavam o leite em queijo, dando origem a este apreciado produto.

Cruzília – Sul de Minas – Fev2012

Inspirado no queijo Danbo dinamarquês e com uma “dose” da tecnologia do gouda holandês, o queijo recebeu dos criativos brasileiros o nome de Prato, por ser cilíndrico e caber direitinho no fundo dos “pratos de comer” usados na época.

Por ser um queijo de sabor suave, de textura macia e aroma agradável é muito adequado ao paladar brasileiro: está sempre presente na culinária, nos sanduíches (principalmente no famoso Bauru) e é muito consumido puro ou aquecido junto do pão francês!

Sua cor alaranjada é inconfundível, o que não quer dizer que o queijo tem alto teor de gordura!  A cor é proveniente da adição de urucum à massa, para deixá-la mais atrativa e despertar o paladar.

Mas como reconhecer entre tantas opções, um queijo prato de qualidade?

Um bom queijo prato deve ter uma casca lisa e fina, ter uma textura levemente elástica, que faz com o queijo possa ser fatiado facilmente formando fatias inteiras e uniformes.

Jamais solta umidade ou soro da massa, que deve estar sempre seca no corte e com cor alaranjada fosca. Geralmente não apresenta olhaduras (buracos) na massa, mas se houverem devem ser pequenas, em pouca quantidade, lisas, ovaladas e brilhantes.

Derrete-se facilmente quando aquecido liberando um aroma muito agradável.

Prato1

Quanto mais maturado mais acentuado fica seu sabor e mais pastosa a textura, mas ainda assim seu sabor é bem equilibrado e suave se comparado a outros queijos de longa maturação.

Mesmo bem maturado, um queijo prato de qualidade não deve apresentar sabor amargo e ranço perto do fim de sua validade.

Hoje o queijo prato é fabricado no Brasil em vários formatos e tamanhos, mas o mais comum é encontrá-lo em formato retangular, para facilitar o corte e o uso direto nos sanduíches.

Dicas da Queijeira:

  • Geralmente o queijo prato é vendido fatiado: dê preferência àqueles fatiados na hora da compra e fique atento a cor e a textura do produto.
  • Mantenha o produto conservado em recipientes fechados na geladeira para evitar ressecamento.
  • Um bom queijo prato e no ponto de consumo após fatiado , não gruda as fatias umas nas outras.
  • Cervejas harmonizam muito bem com o queijo prato nos aperitivos: Experimente fazê-lo empanado: é fabuloso.

“Chancliche” de queijo do serro artesanal

chancliche de queijo do serro

Por Renata Curzi

A última edição do concurso “Comida di Buteco” em BH teve como ingrediente obrigatório o queijo minas. O prato vencedor foi o “Sheik de Minas”. Uma espécie de chancliche (queijo árabe envolto em zaatar) feito com queijo minas, ao invés de coalhada seca, servido com lagarto.

Fiquei com muita vontade de fazer o queijinho em casa, mas as receitas não foram divulgadas. Então resolvi fazer do meu jeito. E não é que deu certo? Ficou muito gostoso. Usei o queijo minas do serro, um queijo artesanal de sabor fresco e ácido que combinou muito bem com os temperos.

chacliche de quijo do serro 2

O modo de fazer é muito fácil. Basta amassar o queijo com o garfo e misturar cream cheese para dar o ponto de enrolar. Depois é só passar no condimento. Eu fiz três versões: zaatar, gergelim preto e pimenta calabresa. Mas acho que ficaria bom com orégano, castanhas trituradas, páprica, ervas desidratadas… ou o que você tiver em casa.

O legal dessa receita é que dá uma carinha de festa ao queijo de minas nosso de cada dia. Além disso, é aquele tipo de petisco curinga que você faz em 10 minutos para as visitas inesperadas. É só juntar umas torradas e servir com uma cervejinha bem gelada.

queijo do serroEu usei queijo do serro, mas essa delícia só está disponível aqui em Minas por enquanto, porque é um queijo feito com leite cru e ainda não tem o selo da inspeção federal (SIF), só o do IMA (Instituto MIneiro de Agropecuária).  Mas você pode fazer fazer usando o queijo minas padrão que também vai dar certo.

Receita Continuar lendo

Gruyère Suiço : o verdadeiro sabor dos Alpes!

Por Carla Reis

Produzido nas montanhas dos Alpes suíços o verdadeiro queijo Gruyère tem ou não tem buracos, o que nós queijeiros chamamos poeticamente de “olhaduras”?

Eis a tão polêmica questão…

Conforme definição, o queijo para ser chamado Gruyère , o autêntico Suíço , não pode ter nenhum orifício , nenhuma olhadura.  Produzido com leite cru da região dos Alpes  principalmente durante o verão, é um queijo de massa semidura e que depois de pronto deve permanecer nas caves de maturação por no mínimo 5 meses para desenvolver o sabor . Sua textura é lisa, tem a crosta ( casca) espessa e bem definida – como a da foto.

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Ou seja, o autêntico gruyère suíço não tem olhaduras. Queijos com orifícios mesmo pequenos são desqualificados e não podem ser denominados Gruyère.

Mas o que acontece então com os outros queijos com olhaduras também chamados de gruyère, como os produzidos na França?

DSCN0552A confusão se dá, porque os franceses produzem os queijos Comté e o Emental francês, entre outras variedades, com um método parecido  com o do suíço , mas que pela sua composição , origem do leite e tecnologia de fabricação, produzem várias olhaduras de tamanhos variados na massa do produto – foto. Estes queijos também são conhecidos pelo nome genérico de gruyère. Continuar lendo

Queijo Coalho : é nordeste , é Brasil !

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Por Carla Reis

Como boa mineira , adoro queijo, e ainda mais queijo tostado na chapa: me remete à infância quando nas noites em volta do fogão à lenha da casa de minha avó Ana , colocávamos o queijo para derreter na chapa do fogão para comer com pão. Quando penso, consigo sentir o aroma do quejo tostando e o barulhinho do soro desprendendo e evaporando com o calor da chapa quente. Era quase um ritual : uma maravilha!

Em razão disto, hoje não falta na minha geladeira o Queijo Coalho: genuinamente nordestino, o queijo coalho tem destaque entre as iguarias da região, principalmente no estado de Pernambuco , onde acredita-se que teve sua origem. É apropriado para tostar, pois pode ser aquecido e não perde a forma, por isto é muito comercializado como petisco , nas churrascarias e nas praias nordestinas .
O queijo coalho é fabricado com uma tecnologia bem simples , onde os ingredientes principais são leite e coalho. Depois de coalhado o leite , a massa formada é prensada , colocada em formas , novamente prensada  e depois levada para a salmoura . Após a  salga o queijo é embalado. Geralmente o queijo coalho não tem maturação, e sua massa é bem branca com textura borrachenta. Levemente salgado e acidulado, é um queijo meio “sem graça” antes de tostar!
Mas, uma vez tostado, desprende aromas e um sabor marcante e peculiar, sem falar na casquinha crocante com o queijo derretido dentro…

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Existem queijos coalho em vários formatos como redondo, retangular, mas o mais popular atualmente é a versão em espeto (palito) própria para grelhas.

Dica da Queijeira:
Em casa, utilizo uma “sanduicheira” destas simples de fazer mixto, para tostar o queijo coalho em palito. Fica pronto em 4-5 minutinhos, sem nenhum trabalho e o melhor de tudo sem fumaça na cozinha!
Depois é só colocar no pão francês fresquinho e apreciar com uma xícara de café. Imperdível.

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Nota:
Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco são considerados
os maiores produtores do queijo de coalho. Órgãos do governo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),Centros de pesquisas e Empresários pernambucanos estão lutando pelo reconhecimento do Queijo Coalho como legitimamente brasileiro e, mais especificamente, pernambucano.
Vamos torcer para esta certificação: será mais um orgulho brasileiro!

O ¨Reino¨ é do queijo

Por Carla Reis

Acredita-se que o “Queijo do Reino”tenha sua origem do Edam holandês.

Reino1De formato esférico, o queijo Edam era importado para o Brasil na época da colonização para consumo da corte portuguesa , juntamente com os azeites , vinhos e outras iguarias. Para proteger o queijo que vinha nas Caravelas Portuguesas, os mesmos eram colocados em latas ( daí a tradição que perdura até hoje , de comercializar o queijo reino em latas ).

Os queijos passavam meses nos navios até IMG_0139desembarcar no Brasil , e neste período aliado as condições adversas de temperatura , a maturação do queijo acelerava e ele chegava a seu destino com uma textura e sabor bem diferentes do original edam holandês : mais picante , com sabor mais forte , seco e granuloso para o deleite dos privilegiados que consumiam os produtos vindos da Europa, ou do “ Reino” como se referiam aos produtos importados. Continuar lendo

Gorgonzola : Quatro maneiras de ter um Natal “Azul”

Por Carla Reis

Que tal aproveitar o clima das festas de final do ano , para saborar um dos nossos queijos favoritos? O gorgonzola é classico , saboroso , versátil e ideal para esta época do ano quando as pessoas querem celebrar suas conquistas!

Seguem aqui 4 maneiras rápidas e muito fáceis de apresentar este queijo clássico aos seus convidados e dar um toque de requinte à sua mesa e a seu cardápio.

1. Salada verde com gorgonzola : misture suas folhas preferidas ( alface crespa , alface americana, escarolas ou outras à seu gosto ) com nozes carameledas , castanhas trituradas , tomate cereja ( ou cereja ) , pêra picadas e pedaços de gorgonzola ( esmigalhados ou em pequenos cortes ): doce , salgado, crocante . Impressionante !!!!!

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2. Ao natural : sirva um pedaço de gorgonzola puro , ao natural e uma tábua ou prato. Corte em pequenos pedaços e deixe pedaços de pêras ou damasco cortados ao lado. Por que mexer em um clássico?

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3. Em canapés : faça pequenos canapés com gorgonzola sobre torradinhas ou biscoitos salgados . Combine com pêras ou frutas secas e sirva de entrada para seus convidados. Regue com mel : o sucesso é garantido!

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4.Em pasta ou creme : misture pedaços de gorgonzola com creme de leite até formar uma pasta. Sirva na entrada acompanhado de pães ou para fazer “dip” com legumes ou biscoitos tipo grissinis.

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Espero que gostem destas dicas saborosas e rápidas: aproveite melhor seu tempo para curtir a família e os amigos !

O Gouda Holandês

Por Carla Reis

O queijo Gouda é o mais famoso queijo Holandês , apreciado , imitado e copiado mundo afora.

É produzido em todas as regiões da Holanda há 8 séculos , mas sua origem se deu na cidade de Gouda , próxima a Amsterdan e Roterdan , a partir da idade média .

Sempre gostei do Gouda , apesar de não ser muito comum encontrar um verdadeiro “Gouda” no Brasil. As versões foram adaptadas à tecnologia do queijo prato. Acho que o gouda se adapta bem ao paladar brasileiro : queijo suave , mas com sabor particular e marcante. O gouda pode ser definido como um  “queijo com personalidade” , plagiando alguns amigos que sempre me falam esta frase.

Agora que tive a oportunidade de visitar a Holanda, fiquei ainda mais encantada pela tradição queijeira do país e procurei descobrir tudo sobre o savoir-faire holandês em fabricar e comercializar este queijo, afinal eu estava na terra das “vacas holandesas”.

Comprei o Gouda da foto, em um loja especializada em queijos de produção artesanal, onde pude degustar vários tipos diferentes de queijos ( e stroopwafel**- conto depois sobre esta iguaria deliciosa da Holanda…. ) .

Nesta loja tem uma “cave de maturação” de queijos, onde os queijos ficam expostos em tábuas em uma sala com temperatura controlada, para que atinjam o ponto ideal de consumo. Os queijos ainda são maturados desembalados (como manda a tradição). A crosta do queijo (casca) é fina e lisa , e os poetas a comparam com a superfície da lua !!! Continuar lendo

Gorgonzola , italianíssimo

Por Carla Reis

Meu post hoje é sobre um dos queijos mais apreciados no mundo: o Gorgonzola.

Historiadores antigos da cidade de Gorgonzola, província de Milão na Itália  contam que ele “nasceu” por um descuido, já os mais românticos dizem que foi por amor.  Conta-se que um jovem aprendiz de queijeiro deixou de fazer o queijo para encontrar sua amada. Guardou o leite ainda quente nas tinas e o mesmo acidificou, “azedou”. No dia seguinte, para tentar recuperar o leite azedo e escapar da bronca de seu patrão, misturou o leite ácido com o leite ordenhado fresco e ainda quente. Os leites ácido e fresco com temperaturas diferentes ao se misturarem formaram uma coalhada com bolhas de ar por toda superfície. O jovem rapaz imaginando que tinha perdido todo o queijo o deixou escondido nas caves de maturação da queijaria. Dias depois, ao voltar, viu que no espaço formado na massa pelas bolhas de ar havia crescido um fungo azul-esverdeado, e que a massa tinha um sabor inigualável e aroma intenso. Nascia assim então, o queijo gorgonzola!

Verdade ou mito, não sei … Prefiro acreditar na história contada pelos habitantes da pequena Vila Gorgonzola. Continuar lendo